
"(...) E é aí que começa o sonho, de perceber como as dobras animam a superfície, de discernir que aquele roto tecido, prescinde muitas vezes de suavidade, pois se prolonga com aspecto truncado, retorcido, onde, vez por outra, vemos palavras ou apenas uma instável costura como a presença de uma cicatriz. Com efeito, se há algo a dizer sobre a memória, Adriana nos diz através da dor calada, da maciez ferida do algodão, do atrito áspero entre o tecido e o chão, da cor terna do branco à cor fustigada do pó de café. Dor e alegria fazem parte desta mesma trama de tecido cru, da mesma tenacidade que devemos ter para seguir adiante (...)" Fabio Padilha

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